terça-feira, 28 de agosto de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Enrola, enrola, enrola, as caraminholas na cabeça não dão ponto sem nó!
"Quando menina, tinha a cabeça cheia de caraminholas." E agora? No caraminholar das coisas, das coisas que pululam numa cabeça-nó. Horas-minhocas, aquelas que se arrastam, demoram a passar. Ora bolas! Pra que esse espaço?


Paula

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Margaridas despetaladas

A quantas andam as Margaridas do campo?
Elas marcham a caminho do planalto,
reclamando seus direitos de flor,
pela dor que a falta deles as faz passar.
Passam belas não tão belas as Margaridas,
de mãos marcadas, rostos pisados,
seguem em frente, frente a frente com os do alto.
No Planalto. As Margaridas, finas flores. Mulheres. Não em vão. Vão.


Paula

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

José

(Carlos Drummond de Andrade)


E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você consasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?


Paula

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Drumundana

(Alice Ruiz)


e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria


Paula

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Cogito

(Torquato Neto)


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.



Paula

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ando vazia
de tãããão cheia
o excesso
não deixa escapar
a minha poesia
ai, ai

Paula