Poema de amor sobre um tema de Whitman
(Allen Ginsberg)
Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Dos chatos
(Mário Quintana)
O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa... Me lembro que fiz um soneto inteiro — bem certinho, bem clássico e tudo — durante o assalto ao Quarto do Sétimo, isto é, quando um veterano de 30 me contava mais uma vez a sua participação nas glórias e perigos daquela investida.
As velhotas que nos contam seus achaques também são de grande inspiração poética.
Mas que fazer contra a amabilidade agressiva do chato solícito? Aquele que insiste em pagar nossa passagem, nosso cafezinho, ou quer levar-nos à força para um drinque, ou faz questão fechada de nos emprestar um livro que não temos a mínima vontade de abrir...
Ah! ia-me esquecendo dos proselitistas de todas as religiões. Os proselitistas amadores, que são os piores. Quanto aos sacerdotes que conheço, registre-se em seu louvor que eles sempre me falam de outras coisas. Ou me julgam um caso perdido ou um caso garantido... Bem, qualquer que seja o caso, deixam-me em paz.
O que pode acontecer de mais chato no mundo é o chato que se chateia a si mesmo, o autochato.
Para essa extrema contingência, descobri em tempo que a última solução não é o suicídio. É escrever, desabafar para cima do leitor, o qual, se me leu até aqui, a culpa é toda dele.
Há gente para tudo...
Paula
(Mário Quintana)
O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa... Me lembro que fiz um soneto inteiro — bem certinho, bem clássico e tudo — durante o assalto ao Quarto do Sétimo, isto é, quando um veterano de 30 me contava mais uma vez a sua participação nas glórias e perigos daquela investida.
As velhotas que nos contam seus achaques também são de grande inspiração poética.
Mas que fazer contra a amabilidade agressiva do chato solícito? Aquele que insiste em pagar nossa passagem, nosso cafezinho, ou quer levar-nos à força para um drinque, ou faz questão fechada de nos emprestar um livro que não temos a mínima vontade de abrir...
Ah! ia-me esquecendo dos proselitistas de todas as religiões. Os proselitistas amadores, que são os piores. Quanto aos sacerdotes que conheço, registre-se em seu louvor que eles sempre me falam de outras coisas. Ou me julgam um caso perdido ou um caso garantido... Bem, qualquer que seja o caso, deixam-me em paz.
O que pode acontecer de mais chato no mundo é o chato que se chateia a si mesmo, o autochato.
Para essa extrema contingência, descobri em tempo que a última solução não é o suicídio. É escrever, desabafar para cima do leitor, o qual, se me leu até aqui, a culpa é toda dele.
Há gente para tudo...
Paula
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
"acho que essas paradas me fazem querer acreditar que existe alguma coisa a mais do que o ser humano, saca? alguma coisa melhor... não pode ser o topo das espécies...o ser mais inteligente... o topo da cadeia alimentar... não pode, cara... não pode" (Wild)
um choro uma lágrima
a água no sal
um copo uma brisa
lá vai ela dependurar a roupa no varal
cores claras, lã e algodão
já é passado o verão, chove lá fora
agora é tempo de sentar no quintal
folhas no chão
contando causos de outrora e de outra gente
a amigos e ouvintes que se convidam
mesmo a chuva não atrapalha
corre rua abaixo tilintam gotas na calha
lá no alto do morro, passam carros: surgiu a auto-estrada
Paula
um choro uma lágrima
a água no sal
um copo uma brisa
lá vai ela dependurar a roupa no varal
cores claras, lã e algodão
já é passado o verão, chove lá fora
agora é tempo de sentar no quintal
folhas no chão
contando causos de outrora e de outra gente
a amigos e ouvintes que se convidam
mesmo a chuva não atrapalha
corre rua abaixo tilintam gotas na calha
lá no alto do morro, passam carros: surgiu a auto-estrada
Paula
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
minh'alma pesa pesa enquanto esse frio gela gela os corações que partem partem sem aviso aviso que voltei voltei sem saber se vou ficar ficar pra ver no que isso vai dar dar pra quem quiser receber receber é tudo que posso oferecer oferecer meu coração partido partido pelo frio que gela gela enquanto minh'alma pesa pesa de tanto eu dentro de mim mesma
Paula
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
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