segunda-feira, 30 de abril de 2007

Feeling the blues

Eu queria ser menos triste, poupar meus dias desta melancolia. Talvez o Sol brilhe, e as nuvens se dissipem, não sei, é só um talvez. Meus jeans rasgados, minhas unhas vermelhas, eu os observo. Há desordem no mundo, eu penso. Num mundo onde o novo tira o lugar do velho. Em que(m) acreditar? Eu tenho meus sonhos; ele, os dele, só que ninguém se importa. É a laranja azeda, mecânica, um futuro que não tarda, e está cada vez mais assustador. Os conceitos nos devoram - é a era da neurose. Meus bolsos vazios; os dele também. Banco, conta, cartão, consumo, prestações - é a era da escravidão. Cadê a Áurea? E a Isabel? O João precisa alimentar seus filhos, lhes comprar material escolar; ele quer, ele sofre. (Pensando...)He's a real nowhere Man, sitting in his Nowhere Land, making all his nowhere plans for nobody...
*Precedida pela Lei do Ventre Livre de 28 de Setembro de 1871, que libertou todas as crianças nascidas, foi a formalização da Lei Áurea no dia 13 de maio de 1888 que finalmente deu por fim a qualquer exploração da mão-de-obra escrava no Brasil. Ambas as leis foram aprovadas por Isabel quando o pai dela estava na Europa. (Wikipedia)
Paula

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Dias Não Menos Dias
(Ana Cristina Cesar)

Chora-se com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde

e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.



Paula

domingo, 22 de abril de 2007

Se quiser parar, paramos, pois não podemos desperdiçar tempo. Mas já que estamos na metade, agora falta tão pouco. O caminho é nesta direção, a estrada nos espera, vamos seguir nosso rumo. Juntos. Como o tempo passa, quero passar com você. E graças a quem você quiser. Isso não me importa, não importa agora, vamos nos preocupar com a hora da partida, do encontro, e deixar o depois para mais tarde. Sem preocupação com a despedida, com o final da jornada. Olhemos para ali, olhe só. É o horizonte: azul, laranja, vermelho, à nossa espera. Vem, que eu lhe dou a mão. Não sinta medo da curva que vem depois da reta. Feche os olhos e tente enxergar o vazio repleto de sonhos que temos pela frente. A estrada é aqui; a estrada é a vida. Vamos de encontro a ela, esta é a hora.
Paula

sexta-feira, 13 de abril de 2007

COMPRO UM SAPATO PAGO NO ATO ME SATISFAÇO
TEMPO GASTO? DINHEIRO GASTO? TRABALHO GASTO?
UM CHINELO SERVIRIA
MEUS PÉS DA MESMA FORMA ME LEVARIAM A QUALQUER LUGAR
E QUEM NÃO TEM? QUEM NÃO TEM NADA? QUEM NÃO PODE GASTAR O DINHEIRO DO TEMPO DO TRABALHO? NÃO SEI
DOEM OS PÉS
OS MEUS DOEM QUANDO O SAPATO É DESCONFORTÁVEL
OS DO QUEM DOEM PORQUE NÃO HÁ SAPATOS GASTA OS PÉS
SAPATOPAGONOATOPASAPATOGOTALAGRIMASUORSAPATOGASTAPESSOA

paula

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Onde você estava quando te procurei?
O lugar em que você costumava ficar com seus trapos e sua melancolia estava vazio.
Fiquei aflita, porque parte da minha rotina tinha se desfeito.
Não consegui me imaginar sem esse pedaço dos meus dias.
Pensei, pensei, e pensei no pior! Até que o vi.
Olhei bem para ter certeza de que era você. Era, que alívio senti.
Estava tudo lá, então.
Poderia voltar os meus pensamentos para outras coisas; o pior passara,
e você estava ali, só tinha mudado de lugar.
Agora, está num canto mais escuro, de onde pode ver a vida sem que ela te veja.
Talvez você acredite que assim seja menos difícil, e rezo para que assim seja.



Paula