blues vermelho com cortes nas laterais
fina chuva que corre enquanto escorre o tempo pelos minutos de ócio.
Fazem-se movimentos de nariz e boca, enquanto aquela gota vira goteira na cabeça de um tolo que passa.
Os passarinhos, não os ouço. Por que, quando chove, não os ouço cantarolar?
Estranho esse modo de pensar nas coisas. Sempre tão coisas, sempre de um jeito tão estranho. Essas coisas que ficam, que se penduram na roda dos nossos pensamentos até que consigam um bom lugar para se instalar. Que coisa chata! O estado crítico do estado estático. Parado de mim! Tinindo TRINCANDO. (ARETHA evocando aplausos celestiais, enquanto o sangue percorre fervoroso pelas veias)
Já não é mais quinta-feira. Estou presa a uma cadeia de notas circuncidadas pela auréola de metal resplendoroso. E, nas laterais, estão os cortes – de um vermelho físico - que não se cicatrizam, que pendem para a parte interna/interina do blues. Que já se tornou apenas meu.
Paula
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
rivaldo sai desse lago
que a água tá fervendo no bule rapaz
rivaldo sai desse lago
o tempo tá passando
e você parece querer só se banhar
rivaldo sai desse lago
é o último capítulo da novela
e os mocinhos vão se beijar
caramba, rivaldo, sai desse lago
porque eu não vô mais chamar você não
amanhã vai querer tomar café e não vai ter pó
porque você em vez de ir buscar na vendinha
tá aí lavando essa bunda suja nesse lago que já não é lago faz tempo
sai rivaldo desse lago
deixa de pensar na morte da bezerra
que o enterro tá passando vem ver vem
tá na hora de dormir rivaldo
vem pra vida do quarto
esquece essa ida no lago
rivaldo
sai
desse
lago
.
.
.
Paula
que a água tá fervendo no bule rapaz
rivaldo sai desse lago
o tempo tá passando
e você parece querer só se banhar
rivaldo sai desse lago
é o último capítulo da novela
e os mocinhos vão se beijar
caramba, rivaldo, sai desse lago
porque eu não vô mais chamar você não
amanhã vai querer tomar café e não vai ter pó
porque você em vez de ir buscar na vendinha
tá aí lavando essa bunda suja nesse lago que já não é lago faz tempo
sai rivaldo desse lago
deixa de pensar na morte da bezerra
que o enterro tá passando vem ver vem
tá na hora de dormir rivaldo
vem pra vida do quarto
esquece essa ida no lago
rivaldo
sai
desse
lago
.
.
.
Paula
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Um Sonho
(Caetano Veloso)
lua na folha molhada
brilho azul-branco
olho-água, vermelho da calha nua
tua ilharga lhana
mamilos de rosa-fagulha
fios de ouro velho na nuca
estrela-boca de milhões de beijos-luz
lua
fruta flor folhuda
ah! a trilha de alcançar-te
galho, mulher, folho, filhos
malha de galáxias
tua pele se espalha
ao som de minha mão
traçar-lhe rotas
teu talho, meu malho
teu talho, meu malho
o ir e vir de tua
o ir e vir de tua ilha
lua
toda a minha chuva
todo o meu orvalho
caí sobre ti
se desabas e espelhas da cama
a maravilha-luz do meu céu
jabuticaba branca
Paula
(Caetano Veloso)
lua na folha molhada
brilho azul-branco
olho-água, vermelho da calha nua
tua ilharga lhana
mamilos de rosa-fagulha
fios de ouro velho na nuca
estrela-boca de milhões de beijos-luz
lua
fruta flor folhuda
ah! a trilha de alcançar-te
galho, mulher, folho, filhos
malha de galáxias
tua pele se espalha
ao som de minha mão
traçar-lhe rotas
teu talho, meu malho
teu talho, meu malho
o ir e vir de tua
o ir e vir de tua ilha
lua
toda a minha chuva
todo o meu orvalho
caí sobre ti
se desabas e espelhas da cama
a maravilha-luz do meu céu
jabuticaba branca
Paula
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