sexta-feira, 29 de junho de 2007

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

(Rainer Maria Rilke - Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.


Paula

terça-feira, 19 de junho de 2007

alquimia sensual

(Cacaso)

Tirante meus olhos e mãos
quero me transformar em seu corpo
com toda nudez experiente
do passado e do presente


E naquela noite
entre suspiros
terei aguardado a hora incrível
de tirar o sutiã


Paula

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Xi, a cabeça tá cheia! Hein? Cheia! Ih, de quê?
Puuuuushiiiiiiii. Fiuuuuiiiishiiiii.


Pow!

Cor do texto


Paula

sexta-feira, 8 de junho de 2007

...É bom ter tempo para escrever e, compartilhar com todos que por aqui transitam pensamentos longíquos...

Hoje, compartilharei apenas do que me foi compartilhado...vai um pouco de Schopenhauer...que torna meu pessimismo legível e menos realista ou seria o contrário?!
É bom estar de volta! ...E viva as Dédas!

Mis


OS CÃES E A MASCARADA
(...) "A diferença entre as pessoas é invariavelmente grande e muitos se assustariam se vissem o outro tal como ele é efetivamente. (...) o véu do disfarce, da falsidade, da dissimulação, da careta, da mentira e da fraude (...) sobre tudo se estende (...) por trás de todas as virtuosas exterioridades. Daí provêm as amizades quadrúpedes. Como suportaríamos a infinita dissimulação, falsidade e malícia dos homens se não houvesse os cães, em cuja face honesta podemos mirar sem desconfiança? Nosso mundo civilizado não passa de uma imensa mascarada. Ali encontramos cavaleiros, padres, soldados, doutores, advogados, sacerdotes, filósofos, e o que não mais! Porém estes não são o que representam: são simples máscaras. (...)A escolha das mulheres é menor: mais freqüentemente se utilizam da máscara da decência, do pudor, das qualidades domésticas e da modéstia. Existem ainda as máscaras gerais, (...) entre estas se contam a justiça rígida, a cortesia, a participação sincera e a amistosidade risonha. (...) É muito importante já ser informado cedo, na juventude, de que estamos na mascarada. Caso contrário, não compreenderemos nem conseguiremos muitas coisas, mas nos situaremos frente a elas estupefatos. (...) Portanto (...) que o jovem já seja informado que nesta mascarada as maçãs são de cera, as flores de seda, os peixes de papelão, e que tudo, tudo é futilidade e brincadeira: e que, daqueles dois, vistos ali a negociar tão seriamente, um fornece somente mercadoria falsa, e outro a paga com meras fichas.
O homem no fundo é um animal selvagem e terrível. Nós o conhecemos unicamente no estado subjugado e domesticado, denominado civilização (...) Porém, onde e quando a trava e a cadeia da ordem jurídica se rompem (...) o homem não deve crueldade e intransigência a nenhum tigre ou hiena (...) à inveja, egoísmo de nossa natureza ainda se alia um estoque existente de ódio, ira, raiva e maldade reunidos, como o veneno no receptáculo do dente da cobra aguardando apenas a oportunidade para vir à tona (...) qual um demônio libertado a bramir sua fúria produzindo devastação."O ódio constitui de longe o prazer mais insistente; os homem amam às pressas, mas detestam longamente". (...) Gabineau, (...des races humaines), denominou o homem l'animal méchant par excellence (O animal perverso por excelência), o que desagrada as pessoas, porque se sentem atingidas; contudo ele tem razão, pois o homem é o único animal que incute dor a outro sem nenhum outro fim a não ser este mesmo. (...) nenhum animal maltrata apenas por maltratar, mas o homem sim, e isto constitui o caráter demoníaco, muito mais grave do que o simplesmente animal.
(...) é o querer-viver, que, amargurado mais e mais pelo contínuo sofrimento da existência, procura aliviar seu próprio padecimento causando o dos outros. (...) A pior feição da natureza humana permanece sendo o deleite pela desgraça alheia (...) estreitamente aparentada à crueldade (...) a satisfação na desgraça alheia é demoníaca e seu escárnio, o riso do inferno."


Arthur Schopenhauer




quinta-feira, 7 de junho de 2007

E os olhos que se fechavam agora só se mantêm abertos, e pesam as olheiras, as quais são bolsas abstratas de cansaço. Ai! Como querem fechar os meus olhos! Mas não se fecham, e a cabeça a rodar a roda do pensamento contínuo como só ele consegue ser; já não sei se acompanho, acho que são minhas ações mecânicas que o fazem. São imagens coloridas, muito diferentes uma da outra; e o som é estridente, e cada vez aumenta mais e mais e mais e mais. Pelageya! Romeo 1, 1! Buracos, e mais buracos! América do Norte! Prazo! Revisão! Ruim! Bom! Posso! Estou sem! Cesar! *Idioma estranho*! aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh Anima!
A cabeça a girar, girar... Os olhos a fechar. . .


Paula

sexta-feira, 1 de junho de 2007