quarta-feira, 25 de junho de 2008

Um Beijo
que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções
do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor


(Ana C.)


Paula

sexta-feira, 20 de junho de 2008

um estouro para Charles B.
(em agradecimento)

não é que eu consiga verbalizar de forma tão rasgada quanto ele, mas um estouro é um estouro em qualquer lugar; alguns ouvem mais alto, outros, mais baixo, é claro, mas um estouro ainda é um estouro em qualquer lugar.
"as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam."


eu não sou bom com o outro
às vezes, sou bom com o outro
suponho ser bom com o outro
eu peço para ser bom com o outro.


"enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso"
e penso que elas estão por aí, sozinhas -

reminiscências de momentos funestos...

"há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços do relógio."

(em construção)
Paula

quarta-feira, 18 de junho de 2008

é de um lado que não se espera que vem a grande decepção
choro em coro
conversas desperdiçadas
palavras jogadas ao vento
desdobramento de sentimento
tão tarde se fez, aconteceu
meu maior inimigo, você,
sou eu mesma





Paula

terça-feira, 17 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

Que brasão é o seu?
(quero ser Hilda Hilst)

merci, madame
thank you, madam
obrigada, senhora


pareço uma lady?
pareço uma donzela?
pareço uma princesa?
pareço uma meretriz?


ou será que é você quem não percebe nada
a um palmo do seu nariz?




Paula

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Cada Um que Cave Sua Própria Cova

O Grande Irmão disse que me viu com uma nota de 10 na mão,
mas eu disse que não,
só que, se não posso comprovar, se não é permitido que eu passe do balcão,
como vou provar que eu estava dizendo a verdade, e ele não?
É tudo uma questão de imagem, de registro de imagens,
que podem ser alteradas, apagadas,
as pessoas, enganadas, humilhadas.
Eu sei que tenho a razão e uma boa memória visual,
mas na hora do fraco e do forte, é o segundo quem paga a conta e, além disso, se dá mal.


Paula


terça-feira, 3 de junho de 2008

eu sou uma moça polida,
mas em cada instante da minha vida,
dessa vida de impropérios mensais,
surgem problemas e crises,
amigos, romances e disse-me-disse
que me sufocam e me removem da mesmice de ser quem sou,
dessa monotonia de cores, de ruas e dores, falsos amores, verdadeiras ilusões



Paula