sweet little thirty
queria escrever um poema sujo para você.
que tivesse versos secos, quebradiços, que falassem do limo, do golfo, da sujeira da alma, do urubu-que-pousou-na-sorte de Augusto dos Anjos, que te apresentasse a beleza da imundície, o lirismo da lata de lixo.
poema sem nódoa qualquer um faz, com rimas-sorrisos, versos limpinhos que são só elogios. (reconheço isso como parte daqueles que têm um sol azul sobre a cabeça)
para você, eu quero escrever um poema sujo.
que seja a cabeça desordenada, a casa desornenada, o pé de manjericão roxo morto,
dois-amores, sem retorno, entorno de lágrimas,
poço vazio.
mas como não sou poeta maldito, como se meu cérebro estancado brigando com outro cérebro que também seria meu eliminasse qualquer possibilidade de poesia,
lhe ofereço então tinta de caneta sobre papel.
Paula
sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
paguei por sua caretinha
10 + 2 reais que não eram meus + as outras peças que já vi = eu estendendo minha mão pra você,
e você fazendo a caretinha.
daria mais, faria bondage, SM, você pisando em mim com aquela bota, de espetáculo, fora do espetáculo, atrás das cortinas. bota. e eu pensando em sua caretinha. no diminutivo só porque quero ser suja, fazer cara de "inha". isso não regurgito. não me pede, senão, eu fico mole, sem jeito, sensível demais, mulher-música, mulher-gemido, sonoridade crua. bota. faz caretinha. faz do meu corpo instrumento de cafonice, de frase feita, de "sabe o que fica bem em você? eu". faço a leitura de sua figura sentada atrás de uma mesa de mogno, texto em punho, cigarro aceso, texto longo, texto nulo, você atrás, você na frente. burocracia. não é entediante, é burocrático. é como dá pra ser. dei. meu dinheiro. não foi queimado, mas continua grátis. igual a antes, esse antitalismã, um centavo, vinte e cinco centavos, e tudo na cartola vira coelho. e toda cartola parece ter fundo falso. e todo passe de mágica parece de verdade, e tudo é falso. e tudo é maquiado. é pó compacto. é pose no palco. é vontade de fumar sem querer fumar. é amor corrompido. é lei para todos, menos para alguns. queimar dinheiro não pode. rasgar dinheiro é loucura. isso afeta a economia. o dinheiro tem que ser bem empregado. é papel. tem que ser bem empregado. dá pra Igreja. garanta sua vaga já no próximo culto. o que são dois reais comparados a uma caretinha? estamos encoleirados, fazendo papel de cachorro que acha que é o dono do cachorro. homem-bomba. homemrreligião. homem-anti-dinheirográtis. homem-antítese num país de um alfabeto de 26 letras.
Paula
10 + 2 reais que não eram meus + as outras peças que já vi = eu estendendo minha mão pra você,
e você fazendo a caretinha.
daria mais, faria bondage, SM, você pisando em mim com aquela bota, de espetáculo, fora do espetáculo, atrás das cortinas. bota. e eu pensando em sua caretinha. no diminutivo só porque quero ser suja, fazer cara de "inha". isso não regurgito. não me pede, senão, eu fico mole, sem jeito, sensível demais, mulher-música, mulher-gemido, sonoridade crua. bota. faz caretinha. faz do meu corpo instrumento de cafonice, de frase feita, de "sabe o que fica bem em você? eu". faço a leitura de sua figura sentada atrás de uma mesa de mogno, texto em punho, cigarro aceso, texto longo, texto nulo, você atrás, você na frente. burocracia. não é entediante, é burocrático. é como dá pra ser. dei. meu dinheiro. não foi queimado, mas continua grátis. igual a antes, esse antitalismã, um centavo, vinte e cinco centavos, e tudo na cartola vira coelho. e toda cartola parece ter fundo falso. e todo passe de mágica parece de verdade, e tudo é falso. e tudo é maquiado. é pó compacto. é pose no palco. é vontade de fumar sem querer fumar. é amor corrompido. é lei para todos, menos para alguns. queimar dinheiro não pode. rasgar dinheiro é loucura. isso afeta a economia. o dinheiro tem que ser bem empregado. é papel. tem que ser bem empregado. dá pra Igreja. garanta sua vaga já no próximo culto. o que são dois reais comparados a uma caretinha? estamos encoleirados, fazendo papel de cachorro que acha que é o dono do cachorro. homem-bomba. homemrreligião. homem-anti-dinheirográtis. homem-antítese num país de um alfabeto de 26 letras.
Paula
domingo, 14 de junho de 2009
The unending gift
(Borges)
Un pintor nos prometió un cuadro.
Ahora, en New England, se que ha muerto. Sentí
como otras veces, la tristeza y la sorpresa
de comprender que somos como un sueño.
Pensé en el hombre y en el cuadro perdidos.
(Sólo los dioses pueden prometer, porque son
[ inmortales).
Pensé en el lugar prefijado que la tela no
[ ocupará.
Pensé después: si estuviera ahí, sería con el
tiempo esa cosa más, una cosa, una de las
vanidades o hábitos de mi casa; ahora es
ilimitada, incesante, capaz de cualquier
forma y cualquier color y no atada a
ninguno.
Existe de algún modo. Vivirá y crecerá como una
música, y estará conmigo hasta el fin.
Gracias, Jorge Larco.
(También los hombres pueden prometer, porque
[ en la promesa hay algo inmortal).
Paula
p/ o meu pai
(Borges)
Un pintor nos prometió un cuadro.
Ahora, en New England, se que ha muerto. Sentí
como otras veces, la tristeza y la sorpresa
de comprender que somos como un sueño.
Pensé en el hombre y en el cuadro perdidos.
(Sólo los dioses pueden prometer, porque son
[ inmortales).
Pensé en el lugar prefijado que la tela no
[ ocupará.
Pensé después: si estuviera ahí, sería con el
tiempo esa cosa más, una cosa, una de las
vanidades o hábitos de mi casa; ahora es
ilimitada, incesante, capaz de cualquier
forma y cualquier color y no atada a
ninguno.
Existe de algún modo. Vivirá y crecerá como una
música, y estará conmigo hasta el fin.
Gracias, Jorge Larco.
(También los hombres pueden prometer, porque
[ en la promesa hay algo inmortal).
Paula
p/ o meu pai
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)