quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

divagando sem chegar
curtindo a sombra
as nuances
as informações
as observações, P.S.
a aleatoriedade / tal e qual
de tudo
do nada
do avesso
no inverso
no acontecimento
na coisa oca
no porto da vez
na região ocular
nas vísceras
Cor do texto

quero nada quando posso tudo
e quero tudo quase sempre

daqui a pouco, chego lá
divagando
devagar
de vagar tanto

bem aos poucos,

eu chego lá.


Paula
Artes

Evito rimas, recuso acrobacias
Apenas do frugal me ocupo inteira:
Tomo como medida o arame do varal
E entremeio nele (sensual e promíscua)
Toalha de mesa com lençol.

(Maria Lucia dal Farra)



Paula

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"Eu poderia escrever no seu bloquinho"
(Eu te amo)
Eu poderia embaralhar
As letras e deixar que descobrisse
(a u t m e o e).


Meu sussurro gostaria do seu ouvido
( Eu te amo)Mas de tão baixinho...
(Nada!).


Eu te amo, eu te amo, eu te amo
(Me calo)


(Eu...) preciso lhe contar
Amanhã!
( Eu te amo!)


Eu te amo!
(Amo-te, eu...sozinha).

Conto

Encontro em Samarra

Certa vez um mercador de Bagdá mandou seu servo ao mercado comprar provisões. Pouco depois, o servo voltou, branco e trêmulo. Disse: “Mestre, agora mesmo, quando estava no mercado, fui empurrado por uma mulher no meio da multidão e ao me virar vi que fora a Morte quem me empurrara. Ela me olhou e fez um gesto ameaçador. Agora me empreste o seu cavalo, vou cavalgar para bem longe desta cidade, a fim de evitar meu destino. Irei a Samarra, lá a Morte certamente não me encontrará”.
O mercador emprestou-lhe seu cavalo. O servo montou, enfiou as esporas nos flancos do animal e, tão rápido quanto este conseguia galopar, se foi. Então o mercador foi até o mercado, viu a morte em pé no meio da multidão, seguiu até ela e disse: “Por que você fez um gesto ameaçador para o meu servo, quando o viu pela manhã?”
“Não fiz nenhum gesto ameaçador”, respondeu a morte, “foi uma reação de pura surpresa. Fiquei atônita ao vê-lo, aqui, em Bagdá, já que tenho um encontro marcado com ele esta noite, em Samarra”.
John O´Hara

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante."


(Rilke, em Cartas a um Jovem Poeta)




Paula
um momento de criação é o que peço. como se alguém, além de mim mesma, fosse capaz de ouvir meus pensamentos mais íntimos. são tão tolos. todos. que discorrem em ações pouco planejadas. em ações já experienciadas até mais de uma vez. a morte do meu pai tem sido um peso, uma grande lacuna, uma ferida no peito aberto. se eu tivesse tido mais tempo para me preparar, para me buscar, para me trazer à superfície mais forte. dou gritos surdos numa atitude que considero até blasé. é difícil demais lidar com a morte, é doloroso demais lidar com a minha vida após a morte de alguém que eu sempre soube o quanto significava para mim, sem nunca ter sabido isso de fato. por vezes, lembro como me senti, da sensação de dormência nos dentes, do quanto a cabeça ficou pesada, dos olhares ternos e piedosos dispensados a mim. e da minha mãe. de sua perda ainda maior que a minha. só quero poder expurgar esta dor, este vazio que sufoca o meu peito, esta sensação de desabrigo. delineando essas palavras, até que tudo vai mal, até que tudo vai bem, até que a vida é assim, até que a morte é natural. para o inferno com esses pesares, quero sentir corroer a dor que é perder alguém, ver morrer, pela primeira vez, uma pessoa que reconheço como sendo uma parte minha. vou reviver aquelas lágrimas quantas vezes forem necessárias. vou declarar só para você aquele poema sempre que meu coração pedir. vou levar para a vida inteira o seu sorriso, que é - agora tenho consciência disso - das coisas mais belas e sinceras que já vi.



*please, hold me tight. don't ever let me go away.




Paula

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=wF_v5A3aeVk

Kerouac yea Kerouac His words the words so many words just All brothers of the same horn sisters the saxophone Notes music words a melody a quote a figure eight a figure If you listen close to the drummer It's like a mirror and your invisible Like your in a back seat No handles on the doors just a beautiful driver up front She knows where she's going Kerouac the observation machine Caressing the most passing of scenes with photographic love Passionate photographic love vulnerable as anyone knew His memories pull shades up and down Doors are not done telegrams arrive Every morning something extra [vivid] Remembering everything like a snatch of melody A drumbeat remembering mythologizing So fast all the time moving The words the words are drumsticks pounding out drum beats Like a monk like a monk melody With mistakes yea mistakes and sudden inspirations Edges corners explosions convections All fast through a slow motion landscape Yea fast through a slow motion landscape

("Kerouac" - Morphine)




Paula

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

como se apoiando a vida sobCor do textore um rio
I just let it flow




Paula










Incenso fosse música


isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

(Leminski)



Drummond acertando em cheio!

Além da Terra, além do Céu




"Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento eo coração,
vamos!
Vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver."




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Aria Rosso


Vela bagnato
o già masterizzato?
La stessa pioggia che chiuse
È cresciuto il fiore di loto
estinto nella sua essenza
di essere in rivolta
debanda e sono restii
contro l'ondata di nostalgia
la rivolta della fiamma
si devono sempre seguire
il tono lieve di aria
Lotus,
incendio e
mare
tutti, semplicemente preferiscono
il tono di aria mite
ti affascina
ciao luna nuovo


(Hipo)



Paula

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Por ele eu canto

Por ele eu canto,
Eu ergo o agora no que foi,
(Como árvore perene, de pé sobre as raízes, presente no passado)
Com o tempo e o espaço eu a ele expando e eternas leis fundo,
De modo que, por elas, ele seja a lei junto a si mesmo.


(W. Whitman - "Folhas de Relva")






na vitrola:

"If you can't decide what to do with your life
You just don't know what it is that's right
If you just don't know what to do
You just don't know what's right for you
If you can't decide where to go with your life
You just don't know where to spend your time
If you can't decide where to go with your life
I'm sure you'll do whatever is right
I've always known you were incredibly...bright


("Yes" - Morphine)



Paula

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

anel de noivado

(para Paula Fernanda)


escrevo um verso primeiro
e
deixo uma linha em branco
onde
deveria estar o segundo:
em branco, linha da minha vida
falta um verso –
justamente
aquele
onde falo de você.

vivo no inverso das coisas –
não sei onde estou quando só sei
o que quero:

você e uma nuvem de borboletas prateadas
num altar de mil santos ou
flores ou
dias de sol ou
qualquer coisa bonita
que reflita um nós dois
como procuro –

quero uma poesia para a vida toda ou então
que no minuto teu caiba a eternidade inteira...
exatamente como tudo que é seu
cabe no meu verso –

madeixas de vinho tinto,
all star e estrelas e promessas de azul noite;
tudo somo
ao que somos
e ao que seria
se fossemos –

quero casar meu verso com seu poema:
o eu e o você vou jogar fora:
daqui pra frente vai ser só

nós
ou nossa! por que não?

de qualquer forma
deixo o verso e a linha em branco – anel e aliança
para que não diga que em minha poesia

não há

romance.


(Fernando Albuquerque)








desculpe, mas vou ter
que devolver teu anel.
não leva a mal, não, é só
que eu não posso fazer nada
com esse dedo & ele já está
começando a cheirar que nem
um olho! sabe, eu até gosto
de ter cara de doido,
mas quando eu toco meu banjo
no palco, tenho que pôr luva.
desnecessário dizer que isso
está afetando meu desempenho.
pode crer. não tem nada a ver Cor do texto
com meu amor por você...
aliás, devolver o anel
deve até fazer que meu amor
por você aumente ainda mais...
um abraço pro teu médico
beijos,
Toby Aipo



(do livro "Tarântula", bob dylan)



Paula

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009