sábado, 31 de janeiro de 2009

Entre os bares, a gente.

eu, num vestido azul-marinho;
você apostando na clássica hering branca.

lembro do cheiro do tempo,
da cerveja, da coca sobre a mesa
e de você olhando pras minhas coxas,
que escapavam do vestido.

a gente era só sorrisos
e promessas travestidas de meias palavras.

ainda sou capaz de traçar o contorno dos seus olhos,
de roçar na sua barba e de dizer eu te amo
sem que haja
um

som

(repito me demorando na última sílaba)
um.só.som.

você teria que estar atento ao balé dos meus lábios
e não menos atento aos sinais de outras partes do meu corpo

como meus pés, por exemplo,
que caminham em sua direção.



Paula

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ballad Of The Skeletons

(Allen Ginsberg)


Said the Presidential Skeleton
I won't sign the bill
Said the Speaker skeleton
Yes you will

Said the Representative Skeleton
I object
Said the Supreme Court skeleton
Whaddya expect

Said the Miltary skeleton
Buy Star Bombs
Said the Upperclass Skeleton
Starve unmarried moms

Said the Yahoo Skeleton
Stop dirty art
Said the Right Wing skeleton
Forget about yr heart

Said the Gnostic Skeleton
The Human Form's divine
Said the Moral Majority skeleton
No it's not it's mine

Said the Buddha Skeleton
Compassion is wealth
Said the Corporate skeleton
It's bad for your health

Said the Old Christ skeleton
Care for the Poor
Said the Son of God skeleton
AIDS needs cure

Said the Homophobe skeleton
Gay folk suck
Said the Heritage Policy skeleton
Blacks're outa luck

Said the Macho skeleton
Women in their place
Said the Fundamentalist skeleton
Increase human race

Said the Right-to-Life skeleton
Foetus has a soul
Said Pro Choice skeleton
Shove it up your hole

Said the Downsized skeleton
Robots got my job
Said the Tough-on-Crime skeleton
Tear gas the mob

Said the Governor skeleton
Cut school lunch
Said the Mayor skeleton
Eat the budget crunch

Said the Neo Conservative skeleton
Homeless off the street!
Said the Free Market skeleton
Use 'em up for meat

Said the Think Tank skeleton
Free Market's the way
Said the Saving & Loan skeleton
Make the State pay

Said the Chrysler skeleton
Pay for you & me
Said the Nuke Power skeleton
& me & me & me

Said the Ecologic skeleton
Keep Skies blue
Said the Multinational skeleton
What's it worth to you?

Said the NAFTA skeleton
Get rich, Free Trade,
Said the Maquiladora skeleton
Sweat shops, low paid

Said the rich GATT skeleton
One world, high tech
Said the Underclass skeleton
Get it in the neck

Said the World Bank skeleton
Cut down your trees
Said the I.M.F. skeleton
Buy American cheese

Said the Underdeveloped skeleton
We want rice
Said Developed Nations' skeleton
Sell your bones for dice

Said the Ayatollah skeleton
Die writer die
Said Joe Stalin's skeleton
That's no lie

Said the Middle Kingdom skeleton
We swallowed Tibet
Said the Dalai Lama skeleton
Indigestion's whatcha get


Said the World Chorus skeleton
That's their fate
Said the U.S.A. skeleton
Gotta save Kuwait

Said the Petrochemical skeleton
Roar Bombers roar!
Said the Psychedelic skeleton
Smoke a dinosaur

Said Nancy's skeleton
Just say No
Said the Rasta skeleton
Blow Nancy Blow

Said Demagogue skeleton
Don't smoke Pot
Said Alcoholic skeleton
Let your liver rot

Said the Junkie skeleton
Can't we get a fix?
Said the Big Brother skeleton
Jail the dirty pricks

Said the Mirror skeleton
Hey good looking
Said the Electric Chair skeleton
Hey what's cooking?

Said the Talkshow skeleton
Fuck you in the face
Said the Family Values skeleton
My family values mace

Said the NY Times skeleton
That's not fit to print
Said the CIA skeleton
Cantcha take a hint?

Said the Network skeleton
Believe my lies
Said the Advertising skeleton
Don't get wise!

Said the Media skeleton
Believe you me
Said the Couch-potato skeleton
What me worry?

Said the TV skeleton
Eat sound bites
Said the Newscast skeleton
That's all Goodnight

http://www.youtube.com/watch?v=dq7GMJH9qFc




Paula

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

andando por aí sem sapatos
é que se sente a umidade do chão. como seu beijo que de tão quente congela o meu corpo antes febril. você provoca em mim o efeito inverso, conota minha gélida existência de caos.
antes de você, eu era apenas
um amante fugaz, um rosto qualquer
caminhando em direção a mais um quarto de hotel.
agora, existe você.
e, neste momento, me busco,
como a alguém que se perdeu numa pequena estação
de trem.



Paula

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

o consertador de liquidificadores

me contaram
que existe um rapaz
que perdeu mãe e pai
que perdeu também namorada
e que se encontra
sozinho no mundo agora
morando na casa onde sempre morou
cujo ofício é consertar
liquidificador,
UM APARELHO BARULHENTO,
QUE TRITURA, MASTIGA, LIQUEFAZ
AS COISAS -

veja bem como é a vida.




Paula

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

a cama despenteada
o vento desarvora o mato
o sol sobe na pedra feito um bicho
pareço um ator de cinema
com esse cigarro na boca
e essa mulher do meu lado


(Guilherme Mandaro)


-na foto: Dani e Rei



Paula
a morte em mim não mata nada
a não ser o corpo Cor do texto
ela de mim não leva nada
a não ser o morto
Cor do texto


(Ronaldo Santos)


-para o meu pai, que me ensinou que se rotular é se limitar.



Paula
(na vitrola: "In the Still of the Night" - Charlie Parker e "Don't Set Me Free" - Ray Charles)


First Party At Ken Kesey's With Hell's Angels


Cool black night thru redwoods
cars parked outside in shade
behind the gate, stars dim above
the ravine, a fire burning by the side
porch and a few tired souls hunched over
in black leather jackets. In the huge
wooden house, a yellow chandelier
at 3 A.M. the blast of loudspeakers
hi-fi Rolling Stones Ray Charles Beatles
Jumping Joe Jackson and twenty youths
dancing to the vibration thru the floor,
a little weed in the bathroom, girls in scarlet
tights, one muscular smooth skinned man
sweating dancing for hours, beer cans
bent littering the yard, a hanged man
sculpture dangling from a high creek branch,
children sleeping softly in their bedroom bunks.
And 4 police cars parked outside the painted
gate, red lights revolving in the leaves.

December 1965

(Allen Ginsberg)




Paula

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

mudo o convite
já não quero mais

minha boca já não te beija
minhas noites já não te desejam

não, eu não posso ficar


Paula



Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d'água
a espera do café

(Ana C)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

De você pra mim, foi tanto.
é por isso que ainda te descubro
nas manhãs de domingo.

ainda tô na sombra do último brinde,
como se me protegendo da secura das coisas.

você nunca leu os meus poemas
nem sequer pôde me compreender,
e eu deixei tão claro, talvez por isso.

o primeiro amor vem muito forte,
em forma de ventania que chacoalha, chacoalha,
fazendo barulho...
e chegamos os dois trazendo vento forte,
talvez por isso quê.


Paula



Sombras
derrubam
sombras
quando a treva
está madura

sombras
o vento leva
sombra
nenhuma
dura


(Leminski)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cor do textoA insustentável leveza de ser
alguém sem você
de ter alguém
sem ter
de querer
alguém
e.




Paula

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

4 quartos


em algumas frações de segundo




Paula





eu não conheço o número de meus sapatos
nem o tamanho da minha calcinha
não sei que chapéu cabe na minha cabeça
nem quantos ais ocupam meu coração
não quero mais falar de mim mesma
e por isso esse poema é tão curto.


(Alzira - em http://menindigus.blogspot.com/)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

em outras palavras,
aquilo



tá na ponta da língua
o ponto da questão
tá na entrelinha
a linha do pensamento
só falta tropeçar e cair
cambalear e "opa!"
basta você passar a tesoura
só é necessária a quebra
uma quebra...


(já não dá mais pé
vou te deixar sem chão
tô com a cabeça na lua
noutra, entende?)


Paula




ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube

ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza




(Alice Ruiz)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

(reforma ortográfica)
Fernando Albuquerque
http://cronicadeumamorlouco.wordpress.com/


Amo -

do verbo ser de alguém:

vivo-dela adjunto

sujeito a ir além,

substantivamente amo e

abstrato incomum

dou nós em nós

pronome dela entrar

em conjunção possessiva

com meu-nome

- senão num altar numa

cama senão numa

cama em qual

quer lugar

onde a língua permita-

se amar

comoamo.




Paula

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Independência financeira, paCor do textora que não se precise odiar homem algum: ele não pode ferir-me; para que não se precise bajular homem algum: ele nada tem a dar-me."


Em Um Teto Todo Seu - Virginia Woolf



Paula

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

um
ponto
um toque
um arrepio um choque





Paula






uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa


(chacal)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Olho sobre a tela



te digo o que não sinto.
exploro os meus sentidos.
Pinto o seu retrato colorido
à aquarela do amor.




Paula

domingo, 4 de janeiro de 2009

Blanche - Você está falando de desejo animal... e só... Desejo!... nome daquele bonde desconjuntado, barulhento, o ferro-velho que passa sacolejando pelo French Quarter, subindo uma ruela estreita e descendo outra...

Stella - E você nunca andou nesse bonde?



Um Bonde Chamado Desejo - Tennessee Williams




Paula